Discos do mês - Novembro de 2012
Fabricio C. Boppré |Imagem principal:

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Walkmen - Heaven
Contando a partir de 2002, quando saiu o primeiro disco do Walkmen, a cada dois anos exatos tivemos sempre um novo lançamento destes nova-iorquinos. E quase tão certa quanto a aposta de que o próximo disco deles sai em 2014, é a de que será um disco legal, afinal, são seis LPs até aqui e eles ainda não erraram. É uma discografia de respeito, e mesmo que não seja suficiente para inseri-los no cânone da música ocidental, ao menos já serviu para distingui-los com segurança de uma certa leva de bandas surgidas no começo deste milênio cujo estridente sucesso chamava tanto a atenção quanto a absoluta frivolidade. Aliás, eu me pergunto, o Strokes existe ainda? Não faço idéia e nem me importo. Voltando ao Walkmen, este novo LP não só dá continuidade a esta carreira como ainda cuida de subir um pouco mais o nível: pra mim, é o melhor disco dos caras. Tenho a impressão de que está mais do que na hora de nós órfãos do R.E.M. encerrarmos o luto.
Barn Owl - Ancestral Star
A coisa começa como uma cópia bastante escancarada de Earth --- uma cópia apreciável, é verdade, mas ainda assim, uma cópia. A segunda música, Visions in Dust, é a prova inegável do crime. O mal-estar, contudo, não dura mais do que três ou quatro faixas: os sons de Ancestral Star logo começam a variar, as notas começam a esticar e a perdurar mais longamente, e mais instrumentos, incluindo violões, dão as caras. Um certo Cormac-McCarthy-rock, invenção de Dylan Carlson, ainda é o cerne do álbum, com sua atmosfera de paisagem ampla e árida dominando boa parte das faixas, mas a este panorama terreno se junta um infinito céu noturno que abriga ainda mais ameaças e mistérios. E o disco termina bem, muito bem.
Yellowman - Mister Yellowman
Desde a época do surrado porta-fitas-K7 preto que eu usava para levar minha música de um lado para o outro, sempre tive um espaço reservado para os sons da Jamaica. Nunca chegaram a ocupar mais espaço do que outros tipos de som --- e hoje ocupam proporcionalmente ainda menos do que antigamente ---, mas nem que seja pelo princípio, sempre tive discos de reggae. Voltando à época das fitas K7: lembro de uma em particular, há muito perdida, que trazia gravado, além das faixas bônus aleatórias que as fitinhas de 60 minutos quase sempre permitiam (algumas vezes eu aproveitava para fazer "backups" das minhas músicas preferidas, nesses espaços vagos), trazia gravado um álbum de um cara conhecido como Yellowman. Eu gostava bastante daquela fitinha, mas infelizmente não consigo me lembrar do título do álbum. Na verdade, talvez eu nunca tenha sabido, pois acontecia bastante dessas fitinhas serem cópias de cópias de cópias e trazerem rabiscos incompletos ou não-confiáveis para qualquer referência além do nome da banda, e neste caso isso explicaria minha memória (normalmente boa para assuntos musicias) completamente nula em relação ao título daquele álbum. Daí que dia desses topei com um disco do Yellowman chamado Mister Yellowman e resolvi escutá-lo, na esperança de reencontrar as canções da velha fitinha perdida. Trata-se de um disquinho bobo de reggae oitentista, pós-Bob Marley, quando o estilo já estava perdendo o que tinha de rebelde e enveredava por outros caminhos --- Yellowman, por exemplo, é muito citado como um dos precurssores do dancehall e do ragga. Bobo como provavelmente vai se revelar aos meus ouvidos atuais aquele disco que eu tinha gravado, quando eu enfim escutá-lo novamente. Mas, apesar desse julgamento negativo, acabei ouvindo este Mister Yellowman mais umas três ou quatro vezes nesses últimos dias, por causa de uma maldita música que eu ainda não consegui tirar da cabeça. Ela se chama Yellowman Getting Married, e se a idéia de você se pegar distraído cantarolando uma música absolutamente apalermada e viciante não lhe agrada nada, então eu lhe recomendo não ouvir este disco.
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