Dying Days
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Discos do mês - Março de 2013

Fabricio C. Boppré |
Discos do mês - Março de 2013

O Into The Wild, primeiro trabalho solo do Eddie Vedder, é o disco que tenho em minha coleção que melhor costuma atender um desejo recorrente de música compatível com certa literatura tipicamente estadounidense que gosto muito, aquela que nasceu com os escritos repletos de vida e natureza de Whitman e Thoreau, depois passou pelas aventuras de Huck Finn e Tom Sawyer (Mark Twain), e ainda dá de encontrar por aí principalmente sob a forma de biografias e relatos de viagens de aventureiros e rebeldes à margem da sociedade em geral. Claro, o disco é trilha-sonora do filme (que por sua vez é baseado num livro) que conta a história de uma dessas figuras, o que explica bastante coisa. Mas eu queria conhecer mais música para esses momentos. Jack Rose funciona de vez em quando, um ou outro do Neil Young também... Mas acho que isso é tudo que eu conheço. Se alguém tiver captado o espírito da coisa e tiver alguma dica, manda aí.

O Into The Wild andou tocando bastante aqui, mas isso faz umas semaninhas já. Depois, prevaleceram os discos de música mais, é... colérica. Pesada. Bruta. Truculenta. Mal-educada. Começou com muitas doses de Unsane: ouvi e repeti quase todos os álbuns da banda, e poderia escolher qualquer um para ilustrar esse post, mas escolhi o Visqueen pois é o que estou escutando neste exato momento em que escrevo isso aqui. E daí, depois do Unsane, a coisa desandou. Revisitei a discografia do Sepultura, e redescobri como são animais o Arise e o Chaos A.D., principalmente esse último. Indo até as últimas consequências, catei o novíssimo do Facada, Nadir, sem sequer ouvir nada antes, pois com estes cearenses não tem erro. E valorizar o trabalho caprichadíssimo do pessoal da Black Hole é sempre um prazer.

Mas é claro que não dá de ouvir durante o dia inteiro a trituração de células auditivas que essas bandas promovem. Pelo menos uns 20% de audição eu ainda quero ter quando chegar aos 60 anos. Daí que de noite andei recorrendo bastante ao Sunn O))), em especial, aos fantásticos Black One e Monoliths & Dimensions. O vinil do Dømkirke também andou rolando, mas com esse disco eu tenho uma relação um pouco mais fria, devido ao som levemente abafado --- sou daqueles que gosta de ouvir nitidamente e bem alto cada borbulhar das tenebrosas guitarras de Stephen O'Malley e Greg Anderson. De todo modo, são todos discos que garantem sonhos lindíssimos se você ouvi-los pouquinho antes de ir dormir. Meu preferido ainda é o Black One, mas acho que o Monoliths & Dimensions tocou mais, pois tenho uma atração profunda pela Alice, a faixa que fecha o álbum. Não me ocorre agora disco que termine de maneira mais bela do que esse. E dessa vez não emprego o termo de forma invertida: é belo mesmo, no conceito clássico tradicional da coisa. Belo para pessoas normais, entende?

De bônus, outro som que rolou muito aqui, o lindo (dessa vez, lindo para nós anormais) EPzinho que você pode ouvir abaixo:


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