Dying Days
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Discos do mês - Novembro de 2014

Fabricio C. Boppré |
Discos do mês - Novembro de 2014

Mad Season: Above

Esse é o disco que me faz concluir, decididamente, que Seattle não foi uma mera casualidade superestimada e rapidamente esgotada por falta de substância real: havia, sim, algo na água daquela cidade, como se diz. Uma afluência de destinos e circunstâncias que resultou em algo raro e especial. Pode não ser o melhor dos discos gravados por toda aquela assombrosa safra de bandas --- em minhas preferências pessoais aqui, eu talvez consiga elencar até mesmo uns dez outros à sua frente ---, mas é o conjunto de canções que, por outras vias, confirmam a verdade desta conclusão com uma infalibilidade não encontrada nem mesmo no Nevermind do Nirvana, ou no Vs do Pearl Jam, ou no Superunknown do Soundgarden. Bastam os segundos iniciais da primeira faixa, Wake Up, para que isso se estabeleça através de uma certeza tranquila e indiferente à concorrências: é um disco meio que soberano, pairando acima dos outros de sua geração. Isso me veio enquanto eu o escutava atentamente uns dias atrás, e aconteceu aquela sintonia perfeita que parece não negar nem mesmo ao tutano de nossos ossos uma parcela de estremecimento e eletricidade. E também me ocorreu que talvez a maior das evidências disso esteja no fato de que Above sequer chega a despertar aquela dose de nostalgia tão comum aos discos que lhe são contemporâneos e conterrâneos, com todos os seus cacoetes e associações que vêm na esteira de suas repetições pra lá de exaustivas: é simplesmente música excelente e atemporal.

Jimi Hendrix: Crash Landing

Jimi Hendrix é uma constante em minha vida: ouço sempre, em qualquer lugar, em qualquer estação. Isso porque Jimi e sua guitarra elevam-se para muito além das trivialidades que por vezes norteiam nossos estados de espíritos; sua música é desancorada, é primal, é como uma linguagem universal que fala através de um canal conectado diretamente ao que temos de mais básico e essencial, sem necessitar do intermédio do pensamento, da cultura, de qualquer aprendizado. Estou ciente de que se diz a mesma coisa sobre muitas outras músicas, mas na maioria das vezes, se for parar para pensar com algum rigor, é só a repetição vazia de um clichê, assim como também se repete sem qualquer parcimônia aquele outro que imputa o rótulo de gênio a qualquer jovem empresário que fica milionário com alguma invenção na área da informática, como se isso realmente denotasse alguma incrível façanha intelectual ou coisa parecida, sendo que na grande maioria das vezes é tão somente uma mistura de oportunismo com total ausência de constrangimento para o ato de se pisar por sobre os outros. Mas no caso de Hendrix (que, aliás, nasceu em Seattle), não há adjetivo ou clichê que baste. Jimi morreu cedo, mas deixou um enorme legado de gravações, a ponto de ainda hoje acontecer de eu escutar pela primeira vez alguns de seus bootlegs e até mesmo compilações póstumas oficiais, eu que já escuto Hendrix já faz mais de duas décadas, e que muito raramente deixo passar a oportunidade de dar play em algo seu que me apareça pela frente. Minha última descoberta é esse Crash Landing, lançado pela Reprise em 1975, e que traz versões arrepiantes de Power of Soul (listada aqui como With the Power) e Peace in Mississippi. Não é nenhum aborrecimento que esses lançamentos póstumos todos tragam frequentemente versões repetidas das mesmas músicas, ou então versões com pequenas variações: um disco de Hendrix acaba sendo, invariavelmente, algo muito maior do que a simples soma de suas partes. (E ainda outro que tenho escutado maravilhado nos últimos dias: o segundo volume da série Studio Sessions, que só o primeiro disco já vale o investimento monetário ou as horas de download de seus seis discos.)

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