Dying Days
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Doom no verão

Fabricio C. Boppré |
Doom no verão

Crédito(s): foto de autor desconhecido copiada daqui.

Não o jogo, que joguei em outros verões mais antigos e despreocupados. Refiro-me ao subgênero do metal, mais especificamente ao Paradise Lost, mais especificamente ao seu álbum mais recente, este glorioso Ascension. Tendo escutado-o em formato de, digamos, "prévia" no ano passado e inserido-o em minha lista de favoritos de 2025, eu sabia que deveria pôr minhas mãos no CD assim que fosse possível, e assim o fiz, e quando o fiz aproveitei para comprar também a melhor cerveja que pude comprar sem ir muito longe de casa com a intenção de transformar em evento especial a noite em que finalmente rasgaria o plástico, desvendaria o encarte e escutaria ao CD. E assim o fiz também. É destes discos que gera conforto e felicidade tê-lo na estante. É a experiência completa: há guitarras rasgadas, riffs emocionamentes, refrões de gelar a espinha, belezas mil. O som é denso, grave, austero, absorve por completo o ouvinte. É isso o que eu quero do meu metal, como já tentei explicar anteriormente. A diferença, aqui, é que se trata do Paradise Lost. Deveria bastar deixar dito assim; caso não baste, censuro a ignorância de meu leitor ou de minha leitora e secretamente invejo-o ou invejo-a por ter ainda pela frente a possibilidade de assombrar-se pela primeira vez com o jardim sonoro monumental destes ingleses. Não que audições sucessivas dissipem a força da banda — é que a primeira vez é sempre a primeira vez... Mas o que você deveria saber é que não é, de modo algum, apenas uma banda entre outras. Há um esmero e uma habilidade nas composições que parece localizá-los em outro tempo, quando então artistas poderiam criar obras desta amplitude e desta pureza em que absolutamente nada sugere interferências de qualquer gênero, comercial ou o que seja, o tempo dos grandes poetas, de Virgílio, dos grandes pintores, de Michelangelo, artesãos solenes e circunspectos. O tempo das lentas transcrições à luz de velas, o tempo da alquimia. Longe de mim lamentar não ter nascido em tal época, mas poder acessá-la com dois ou três gestos e um bom fone de ouvido é certamente uma dádiva da modernidade. Que esta banda lance um disco como Ascension com quase 40 anos de estrada só reforça o meu ponto. Que é, em resumo: uma banda fodida de maravilhosa. O verão arde aí fora e a estação, em tese, pede sons mais leves e litorâneos... às favas com tudo isso. Para o Paradise Lost estou sempre disposto a conceder todas as noites que me forem solicitadas.

Categoria(s): Opinião

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