Dying Days
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Heavy metal roundup - Edição pré-El Niño '26

Fabricio C. Boppré |
Heavy metal roundup - Edição pré-El Niño '26

Crédito(s): Painting, de Francis Bacon. Imagem copiada daqui.

Gutvoid - Liminal Shrines

O que primeiro chama a atenção neste disco é a ilustração na capa: uma cascata de fogo que se parece com algo pintado por J. M. W. Turner prestes a queimar e afogar (na impossibilidade de saber que tipo de morte deve ser pior, imponha-se logo as duas ao mesmo tempo) seres desesperados que bem poderiam estar em um quadro de Francis Bacon. Dois dos meus pintores favoritos; Liminal Shrines já saiu em vantagem. No que mais interessa o Gutvoid vai bem também. A música está em consonância com a expressão distorcida das figuras estampadas: death metal lunático e selvagem, arrojando-se de cabeça pela porteira aberta pelo Blood Incantation, sufocante, cósmico e brutal.


Ìsinkú - Damnatio Memoriae

As florestas europeias, como tema para mitologia, histórias de horror e black metal, têm no Ulver e no Drudkh meus cronistas favoritos. As do noroeste dos EUA tem o Wolves in the Throne Room. As brasileiras tem o Ìsinkú.


Disembodiment - Spiral Crypts

É tudo de uma infantilidade extrema neste disco — a arte gráfica, os temas, os grunhidos — mas como não amar o timbre das guitarras? E a atmosfera de pântano, e a recusa radical da decência e da civilidade?


Cruel Force – Haneda

Para quem não gosta deste tipo de música (rock, metal, como queira chamar), o disco acima e este abaixo devem soar o mesmo barulho intragável, a mesma balbúrdia incompreensível e potencialmente prejudicial aos ouvidos. Para quem está há décadas envolvido nisto, estas bandas representam quase que polos opostos. Embora o Cruel Force pratique algo que não esteja entre minhas preferências — chamam speed metal — vez ou outra uma banda destas cercanias fisga meus ouvido, seja pela atmosfera fantasiosa que conjura, pelo brilho da produção, pela crença comovente no que fazem. No caso do Cruel Force, assinaladas ficam as três hipóteses.


Into Darkness - Route to the Other Side

Algo neste Route to the Other Side me lembrou os primeiros discos do Dark Tranquillity, talvez o caldo sonoro resultante da produção que não se esforça particularmente em separar os instrumentos e fazê-los soarem límpidos e cristalinos. Não entendo nada de produção musical, mas desconfio que optar por este tipo de sonoridade sem que a coisa acabe degradando para uma maçaroca seja algum tipo de magia negra. Em todo caso, não apenas este trunfo técnico faz deste um álbum sensacional, que ando cogitando inserir em minha lista de melhores do ano: Route to the Other Side é empolgante e incansável, old school sem soar restringido, repleto de riffs ferozes que não permitem que se sinta falta de maiores elaborações melódicas. Aí está uma banda convicta em suas paixões e ambições, e isto fica nitidamente evidente ao longo de todo o percurso. Discaço.


Expurgo - Deformed by Law

E, finalmente, se tudo isso aí soa inofensivo para você, é dos mineiros do Expurgo o que você anda precisando.

Categoria(s): Opinião

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